segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Relato de Campo: Rastejador Sombrio

Registro de Leônidas Lakota

Elemento Primário: Conhecimento
Elemento Secundário: Sangue
Porte: Médio
Sentidos: Ótima percepção aguçada.
Resistência: Apresenta resistência corporal à cortes, impactos e balas.
Fraqueza: Sangue
Físico: Extremamente ágil; Incrivelmente forte, resistente e inteligente.
            Movimentação superior que a humanoide.

Padrão de Ameaça: Seu padrão é furtivo, o que você precisa é de iluminação, sem luz, ele pode se rastejar pelas sombras, seus toques de dor ficam mais potentes e consegue usar seus tentáculos sombrios. Mas em geral é só isso.

Dedicatória:
Você já sentiu que estava sendo seguido?
Talvez ao andar sozinho em uma rua vazia, ou enquanto atravessava um corredor escuro, sem motivo aparente para olhar para trás, mas sentindo uma pressão incômoda na nuca? Talvez tenha sido só paranoia. Talvez tenha sido ele.
O Rastejador Sombrio é uma dessas entidades que parece existir apenas para brincar com a fragilidade da sanidade humana. Ele não persegue suas vítimas apenas para matá-las. Ele as observa, as testa, se diverte com a paranoia crescente até o momento certo para atacar. Ele quer que você saiba que ele está ali, mas nunca com certeza absoluta.
Sempre pelas sombras. Sempre no limite da visão.

A missão nos levou a um distrito industrial abandonado, o tipo de lugar onde o concreto rachado e as janelas quebradas pareciam contar histórias de décadas de abandono. Fomos até lá porque alguém que não deveria saber do paranormal falou demais.
Um policial local encontrou um corpo dentro de um depósito velho. Disse que o cadáver estava esticado, como se tivesse sido puxado para dentro do chão. Os membros estavam deformados, como se tivessem sido arrastados até o limite da resistência humana. Mas o pior detalhe foi a descrição final:
"Ele ainda tinha um sorriso no rosto."
O oficial estava convencido de que alguém havia feito aquilo com métodos humanos. Mas sabíamos que algo assim não era normal.

Chegamos ao depósito ao entardecer, e imediatamente senti o erro. O ambiente parecia certo demais para algo como isso existir. O sol já estava baixo, as sombras estavam longas demais, se espalhando pelos cantos como se soubessem que em breve teriam domínio total do espaço.
Seguimos investigando os arredores. As marcas no chão indicavam movimentos arrastados, mas sem pegadas para explicar como ou o quê fez aquilo. Nenhum rastro real. Nenhum sinal de luta. Apenas a prova de que algo puxou a vítima até que ela não fosse mais nada além de carne esticada e inutilizável.
Foi então que senti.
Um movimento no canto da visão.
Meu corpo reagiu antes da minha mente. Virei rapidamente, arma em punho. Mas não havia nada ali.
Gabriel parou ao meu lado, mão na katana. Eu não precisei dizer nada. Ele também sentiu. A luz do sol continuava a morrer. As sombras cresciam. O ar parecia mais denso. E então, ele apareceu.

Primeiro, uma silhueta parada na entrada do galpão. Não se moveu. Não fez som. Apenas estava ali. Suas vestes pareciam humanas—a silhueta de um sobretudo longo e um chapéu cobrindo o rosto. Mas sabíamos que não era humano. Nenhum humano se mantém parado assim. Nenhum humano espera o momento certo para ser visto.
O tempo pareceu desacelerar. Mas a criatura não avançou. Ela esperou. E então, ela sumiu. Mas a presença não desapareceu.
Senti algo rastejando pelas bordas da sala, como se as sombras estivessem vivas. Tentáculos escuros se alongavam entre as paredes e o chão, fundindo-se à escuridão natural ao redor. Ele não precisava correr até nós. Ele precisava apenas nos cercar.
Gabriel foi o primeiro a agir. Ele arrancou uma lanterna da mochila e a acendeu. O feixe de luz cortou o espaço e a criatura reagiu.
O Rastejador Sombrio emergiu das sombras, finalmente revelando sua forma real. Seu rosto era uma boca grotesca, uma fenda escancarada cheia de dentes finos e irregulares, estendendo-se de um lado ao outro onde deveria haver olhos. Sua pele não tinha cor. Ele não tinha olhos. Apenas a ausência total de feições, como se fosse uma estátua distorcida de algo que tentou ser humano e falhou.
A luz o enfraquecia.
Ele tentou atacar, mas agora seus movimentos eram descoordenados. Irracionais. Ele precisava das sombras.
Gabriel não deu espaço. Ele avançou.
A lâmina de sua katana brilhou no mesmo instante em que eu disparei contra os pontos de sombra onde a criatura tentava se esconder. Cada fonte de escuridão que eliminávamos a deixava mais instável. A criatura tentou recuar, seus tentáculos se recolhendo como se quisesse fugir. Mas não deixamos.

Gabriel desferiu um golpe final e cortou a silhueta em dois.
O corpo do Rastejador Sombrio despedaçou-se como fumaça se dissipando. As sombras no galpão encolheram, e a temperatura do ambiente finalmente voltou ao normal.
Ele estava morto.

O Rastejador Sombrio é um predador calculista. Ele não avança de imediato. Ele espera. Ele se diverte. Mas ele tem uma fraqueza fatal: a luz.
Se privado da escuridão para se esconder, ele perde seu maior trunfo. Torna-se irracional. Desesperado. E é aí que ele pode ser eliminado.
Mas o que mais me incomoda não é que o matamos. O que me incomoda é saber há quanto tempo ele já estava ali, esperando que alguém entrasse no escuro para que pudesse finalmente atacar.

Que o Conhecimento não me faça esquecer – e que a sombra nunca me encontre desprevenido.

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