segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Relato de Campo: Sepultado

Registro de Leônidas Lakota

Elemento Primário: Morte
Porte: Médio
Sentidos: Horríveis.
Resistência: Apresenta resistência corporal à cortes, impactos, balas e perfurações.
Fraqueza: Sangue
Físico: Incrivelmente forte e resistente; Basicamente ágil; Horrivelmente burro.
            Movimentação superior que a humanoide.

Padrão de Ameaça: Seu padrão é horrendo, ele sempre tenta ser parte do cenário, ao chegar perto o suficiente tenta agarrar e dar o toque mortal e bater de maneira muito desesperadas e cuidado para ele não te puxar pra dentro do sarcófago.

Dedicatória:
Existem sons que marcam a memória para sempre. O Sepultado tem o pior deles.
É um som grave, ritmado, incessante. Como um tambor distante, ecoando no silêncio absoluto de um cemitério ou no vazio de uma catacumba esquecida. Sempre vindo de dentro.
Quando alguém ouve esse som pela primeira vez, tende a ignorá-lo. Talvez seja um efeito da acústica do local, o eco de algo do lado de fora. Mas, conforme os minutos passam, fica impossível ignorar. As batidas vêm do interior dos túmulos.
Não é difícil imaginar como esse som começou. Cordas vocais se romperam após tantos gritos inúteis, transformando a agonia em socos desesperados contra o interior do caixão. O som da esperança morrendo e da loucura tomando conta. O som que nunca deveria ser ouvido por ninguém.
Encontramos um desses nas catacumbas de uma ilha próxima a Colares.

A missão era simples. Pelo menos, no papel.

Não é difícil imaginar como esse som começou. Cordas vocais se romperam após tantos gritos inúteis, transformando a agonia em socos desesperados contra o interior do caixão. O som da esperança morrendo e da loucura tomando conta. O som que nunca deveria ser ouvido por ninguém.
Encontramos um desses nas catacumbas de uma ilha próxima a Colares.

A missão era simples. Pelo menos, no papel.
O governo local suspeitava que as catacumbas escondiam algo antigo. Exploradores e saqueadores desapareceram ali dentro sem deixar rastros. Aqueles que conseguiram voltar falavam sobre túmulos que se mexiam, sobre um som abafado que nunca parava, e sobre correntes que eram arrancadas por mãos invisíveis.
Sabíamos que se tratava de algo do Outro Lado. Mas não esperávamos que fosse aquilo.
O túnel era claustrofóbico. O ar, seco e pesado. O cheiro da umidade misturada com pedra e terra revolvida indicava que aquelas passagens eram usadas há séculos.
Então, ouvimos a primeira batida.
Baixa. Distante. Mas definitiva.
A segunda veio logo depois. Depois, outra. O som formava um ritmo constante, uma percussão abafada vinda das paredes.
Gabriel olhou para mim, mão na katana.
Isso não é um eco.
Tínhamos certeza.

Seguimos o som. Ele nos levou até uma sala maior, onde um sarcófago antigo e corroído pelo tempo estava no centro, suas rachaduras decoradas com espirais esculpidas e pedras preciosas acinzentadas. As batidas agora eram ensurdecedoras.
Antes que pudéssemos reagir, algo saiu pelas rachaduras do túmulo.
Primeiro, foram os dedos—longos, ósseos, dobrando-se de maneira impossível. Depois, um braço inteiro, coberto de pele seca e retorcida, um cadáver que nunca teve o direito de descansar. Mas não era só um corpo. Havia mais.
O caixão se abriu por dentro. Vários corpos, fundidos em uma só aberração, se arrastaram para fora ao mesmo tempo. Alguns estavam fundidos pelas costelas, outros tinham mãos saindo de onde deveriam ser os ombros, como se algo os tivesse costurado através da Morte.
A criatura se moveu rápido.
O som das batidas agora vinha de dentro dela, como se ainda tentasse bater contra um túmulo que não existia mais. Quando avançou, percebemos o verdadeiro perigo—ela tentava nos arrastar para dentro do sarcófago.
Meus tiros não adiantaram. As balas atravessavam o corpo seco e apodrecido sem desacelerar. Gabriel a manteve afastada, seus golpes cortando membros, mas cada vez que um pedaço da criatura caía, o resto do corpo continuava avançando, puxando-se para frente como uma marionete quebrada.
Nós não podíamos matá-la ali.
As correntes! — gritei. Precisávamos prendê-la novamente.
As mesmas correntes que antes lacravam o túmulo estavam espalhadas pelo chão. Gabriel e eu corremos, usando o próprio peso da criatura contra ela. Enquanto eu distraía o Sepultado, Gabriel agarrou as correntes e as jogou sobre o monstro, puxando com força.
A coisa rugiu. O som das batidas cresceu em desespero. Mas, quando a última corrente foi selada ao redor do sarcófago, o som finalmente parou.
A criatura ficou imóvel.
O silêncio naquela catacumba foi pior do que qualquer grito.

O Sepultado não pode ser destruído—ele só pode ser selado novamente. Se libertado, tentará arrastar outros para seu túmulo, aumentando sua massa, fundindo novas vítimas ao seu ciclo de morte e desespero eterno.
Mas ele não pode sair do sarcófago sozinho. Se as correntes forem restauradas, se o selo for mantido intacto, ele permanecerá apenas um eco do que foi um dia. Mas quem sabe por quanto tempo?
E, mais importante… quantos outros ainda estão selados por aí, esperando que suas correntes se quebrem?

Que a Morte nunca me prenda – e que as batidas permaneçam abafadas.

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