Registro de Leônidas Lakota
Elemento Primário: Provavelmente Energia (Mexe com clima)
Porte: Impossível discernir
Sentidos: Muito Aguçados.
Resistência: Impossível causar qualquer tipo de dano. (NÃO EXISTE MAS ESTÁ LÁ)
Fraqueza: Provavelmente Conhecimento
Físico: (-NULO-)
Padrão de Ameaça: Se você ver uma nevasca onde não deveria, aguente e sobreviva, ela não vai acabar.
Dedicatória:
O frio não deveria ser tão intenso. Não ali.
O Uivar não é apenas uma criatura. Nem mesmo uma entidade no sentido convencional. Alguns o chamam de anomalia climática paranormal, algo que não pode ser contido, apenas resistido. Outros acreditam que há algo consciente dentro da nevasca, algo que se move, que escolhe suas vítimas, que se alimenta delas.
Não importa qual seja a verdade. O que importa é que, quando o Uivar chega, tudo congela.
A missão nos levou a uma ilha pequena, parte de um arquipélago distante da costa. Pescadores relatavam um frio anormal na região, muito além do que qualquer corrente marítima poderia explicar. Mais estranho ainda, um pescador e seu filho haviam desaparecido sem deixar rastros.
Ao chegarmos, o silêncio nos recebeu primeiro. O som do mar estava errado—baixo demais, como se o próprio oceano estivesse segurando a respiração. Mas o frio foi o que mais incomodou.
Era um tipo de frio que não vinha apenas da temperatura. Era algo que parecia drenar o calor do próprio corpo, sugando-o de dentro para fora.
Logo encontramos os primeiros sinais. Animais congelados em poses naturais, como se tivessem sido interrompidos no meio de um movimento e esculpidos em gelo sólido. As árvores estavam cobertas por uma camada fina e brilhante de geada. Cada passo que dávamos soava abafado, como se até o som estivesse sendo congelado no ar.
E então os vimos.
O pescador e seu filho estavam lá, no meio da ilha, abraçados um ao outro, congelados como estátuas.
Suas expressões eram estranhamente calmas. Como se tivessem aceitado o que aconteceu antes de serem consumidos.
Foi quando ouvimos.
O vento começou a uivar.
Não era um som normal. Não era apenas a corrente de ar cortando a paisagem. O som tinha camadas—vozes mescladas, fragmentos de gritos presos dentro da tempestade. E, entre eles, um clique constante, seco e acelerado, que ressoava em intervalos precisos.
A neve começou a cair, mas algo estava errado. Os flocos não seguiam o vento. Eles desviavam, formando redemoinhos estranhos no ar, contornando uma silhueta invisível que parecia se mover dentro da nevasca.
Gabriel segurou a katana com força. Eu já tinha a arma em mãos, mas não havia nada para mirar.
Não podíamos ver o que estava ali. Mas sabíamos que estava.
O frio ficou insuportável. Meus músculos começaram a endurecer. O ar ficou denso, difícil de respirar. A ilha inteira estava sendo apagada pelo Uivar.
Não houve batalha. Não havia como lutar contra isso.
Nosso único objetivo era sobreviver.
Corríamos sem destino, tentando nos afastar do epicentro da nevasca. Mas ela nos seguia, mudava de direção conosco. Ela nos queria ali.
Não sei quanto tempo durou. Mas, em algum momento, o som começou a diminuir. O frio cedeu levemente. O Uivar se afastou.
E nós conseguimos escapar.
Sobreviver não foi o suficiente.
Sem outra escolha, semanas depois, apagamos a ilha do mapa.
O fogo consumiu tudo. Nenhum rastro foi deixado. Nenhum sinal de que algo alguma vez esteve ali.
Foi o único jeito.
Porque, se aquela ilha continuasse existindo… o Uivar voltaria.
E, da próxima vez, ele não deixaria ninguém escapar.
Que a Energia nunca me tome – e que o frio nunca me chame pelo nome.
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