terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Relato de Campo: Ceifador Espiral

Registro de Leônidas Lakota

Elemento Primário: Definitivamente Morte
Porte: Impossível discernir 
Sentidos: IMPOSSÍVEL.
Resistência: Impossível de se entender.
Fraqueza: Provavelmente Energia
Físico: (-NULO-)

Padrão de Ameaça: Em uma experiência de quase morte, você verá o rosto da morte.

Dedicatória:
Você já enxergou o rosto da Morte?
Aqueles que sobreviveram a experiências de quase morte descrevem ver flashes da própria vida, como se cada momento importante passasse diante de seus olhos. Mas alguns relatos vão além. Alguns dizem que, por um instante, viram algo olhando de volta.
No início, parecia apenas uma sequência de memórias. Mas então, tudo começou a se distorcer. As lembranças perderam sua linearidade, retorcendo-se sobre si mesmas. A linha do tempo se transformou em um movimento espiralado, girando, colapsando, se desfazendo. E no centro dessa espiral, algo se revelava.
Uma silhueta devorando cada momento.
Os poucos que sobreviveram a essa visão descreveram um sentimento absoluto de ruína. Eles não estavam apenas morrendo—estavam sendo consumidos por algo muito maior do que a morte.
Chamaremos essa entidade de Ceifador Espiral.

Não há relatos diretos de sua manifestação na Realidade. Não há registros físicos que possamos estudar. Nada sobre essa criatura pode ser comprovado, porque sempre que ela aparece, tudo desaparece.
O que existe são rastros vagos.
Ruínas perdidas no meio do deserto, onde nada cresce e nada sobrevive. Estruturas que deveriam ter resistido ao tempo, mas que foram reduzidas a cinzas e Lodo seco, como se a própria Morte tivesse engolido aquele espaço e cuspido apenas o resquício do que um dia existiu.
Os poucos fragmentos escritos sobre o Ceifador Espiral foram encontrados em regiões desoladas, em lugares que não deveriam estar vazios. Cidades fantasmas que não foram abandonadas—foram apagadas.
Os textos, quando existem, falam de uma presença impossível, algo que não pode ser olhado diretamente, mas que se esconde dentro da espiral do tempo.
E todos esses documentos compartilham algo em comum: nenhum está completo.
As palavras foram queimadas, corroídas, transformadas em pó. Como se o simples ato de descrever a criatura fosse suficiente para chamar sua atenção.

Se o Ceifador Espiral já se manifestou alguma vez na Realidade, ninguém sobreviveu para contar.
E, talvez, seja melhor assim.
Porque se a Morte tem um rosto, então um dia, todos nós veremos.
E quando esse dia chegar… não haverá nada além de cinzas.

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