Os dias que seguiram foram, talvez, os melhores e piores da minha vida.
E talvez... por isso, também os mais perigosos.
Carajá do Sul, por fora, era uma cidade qualquer.
Praia, pescadores, lojinhas de artesanato.
Mas bastava olhar um pouco mais de perto — e tudo começava a parecer... errado.
Mas por conta dessa cidade, um dia caminhando na praia, encontrei as pessoas que mudariam a minha vida para sempre sem nem saberem disso.
Vamos pular para a parte que é compatível que seja compartilhado.
Quando estávamos na praia em algum momento, Ivan tinha percebido que seu amigo Jão, havia desaparecido, ninguém o viu por um tempo.
Jão era — ou tinha sido — o melhor amigo de Ivan desde criança.
Aqueles amigos de infância que conhecem cada falha, cada história, cada trauma do outro.
Mas a situação não foi levada tanto a sério assim como eu gostaria de ter levado na época. Todos jovens ingênuos. Talvez pudéssemos ter salvo a vida dele.
Fomos procurá-lo pela cidade enquanto nos conhecíamos melhor. Talvez um pouco demorado demais, talvez o suficiente para alguma tragédia acontecer? Claro que sim, e foi o que aconteceu...
A busca começou de imediato.
Primeiro, os lugares óbvios.
Praia.
Píer.
O campo perto de uma escola velha.
Mas o que encontramos foi... pior.
Perto de um beco, encontramos algo do Jão.
Rasgado.
Sujo.
E com uma mancha escura que... não era lama.
Eu abaixei e peguei o boné com dois dedos, engolindo seco.
“Isso é... sangue?”
Gabriel olhou pros lados, tenso.
Clarabella cruzou os braços, inquieta.
Camily, mais afastada, parecia querer estar em qualquer outro lugar.
“Ok... Isso já não é mais brincadeira.” — ela disse, tremendo.
Um alto barulho pôde ser escutado vindo de dentro do beco.
Como se algo tivesse caído no chão.
Atraídos pela curiosidade e teimosia. Alguns de nós entramos.
Segundos depois, vimos.
Entre as sombras, uma silhueta.
Magra.
Desproporcional.
Agachada.
A coisa virou lentamente.
Seus olhos estavam...
brancos.
Leitosos.
Mortos.
Sua pele — fina, rachada, escorrendo algo que parecia... suor e sangue ao mesmo tempo.
(O segundo estágio.)
Ele iria nos atacar. Nos matar. O que era aquilo? Algum tipo de morto vivo?
Teria sido o fim, ali mesmo.
Se não fosse por ela.
Um estampido seco cortou o ar.
E então... luz.
Luz azulada, forte, saindo de um bastão estranho — algo que parecia parte arma.
A criatura se contorceu, gritou.
E em segundos, colapsou no chão.
Aquilo tinha sido? Um ritual?
Na beira da luz, uma mulher.
Roupas pretas.
E o símbolo — um que eu nunca tinha visto antes, mas que anos depois entenderia perfeitamente:
A Ordem.
Ou... o que na época era chamada de Ordo Realitas. Hoje, Ordem Santoro.
“Vocês... não deveriam estar aqui.” — ela disse, olhando pra gente, séria. — “Vão pra casa. Agora.”
Mas antes que pudéssemos responder...
Ela sumiu.
Desapareceu na neblina.
Assim como Jão.
E a nossa esperança de que algum dia nós pudéssemos ser normais novamente.