A cidade agora era impossível de ignorar.
Era como se o mundo inteiro estivesse apodrecendo.Acho que só eu sentia tudo isso... talvez fosse o nervosismo, talvez tudo junto.
O céu parecia mais baixo.
As nuvens, mais pesadas.
As ruas, mais curtas, mais estreitas.
O céu parecia mais baixo.
As nuvens, mais pesadas.
As ruas, mais curtas, mais estreitas.
Talvez fosse tudo junto mesmo.
Nosso mapa, antes cheio de rabiscos e setas, agora era um cemitério de locais riscados.
Pontos vermelhos se espalhando como uma praga.
Pontos vermelhos se espalhando como uma praga.
Locais onde o radar apitava e onde estávamos passando.
O silêncio no grupo era diferente agora.
Não era aquele silêncio desconfortável.
Era o silêncio de quem já sabe que... nada nunca mais vai ser o mesmo.
Não era aquele silêncio desconfortável.
Era o silêncio de quem já sabe que... nada nunca mais vai ser o mesmo.
Nos encontramos a trilha com a ajuda do rádio. Dentro do esgoto, por baixo dos nossos narizes.
As paredes cobertas por mofo, rachaduras e pichações.
As paredes cobertas por mofo, rachaduras e pichações.
O interior do esgoto...
Deveríamos estar com nojo.
Deveríamos estar com nojo.
Deveríamos.
Mas o cheiro —
De sangue seco, de carne apodrecendo, de alguma coisa que se desfazia —
era sufocante.
Mas o cheiro —
De sangue seco, de carne apodrecendo, de alguma coisa que se desfazia —
era sufocante.
Depois de andarmos mais um longo caminho, ou pelos menos, o que pareceu uma eternidade andando. Chegamos em um local um pouco mais aberto...
E na frente, uma figura.
Alguém.
Alto.
Magro.
Minha mente resolveu apagá-lo.
Alto.
Magro.
Minha mente resolveu apagá-lo.
Ocultista: “Vocês demoraram.” — a voz saiu quebrada, arranhando, como vidro sendo arrastado. — “Mas era de se esperar. O sofrimento atrai.”
Ivan deu um passo pra frente.
A voz dele já não tremia mais.
Porque... quando se vai perde tudo, não sobra mais medo.
A voz dele já não tremia mais.
Porque... quando se vai perde tudo, não sobra mais medo.
Ivan: “Foi você... Você fez isso. Você fez isso com a cidade.”
O homem sorriu.
Ou... o que sobrou do sorriso humano nele.
Ou... o que sobrou do sorriso humano nele.
Ocultista: “Eu só... cultivei. A dor já estava aqui. Só precisei... fertilizar.”
No chão, círculos ritualísticos.
As linhas de sangue escorriam até os círculos.
E do círculo...
até algo maior.
As linhas de sangue escorriam até os círculos.
E do círculo...
até algo maior.
No fundo do local, uma massa.
Uma coisa começou a acontecer...
Uma coisa começou a acontecer...
Se mexia.
Pulsava.
Tremia, como se respirasse.
Pulsava.
Tremia, como se respirasse.
Dava pra ouvir.
Vozes.
Muitas.
Gritando, pedindo socorro, chorando.
Vozes.
Muitas.
Gritando, pedindo socorro, chorando.
Todas juntas.
[Checar Relato de Campo: Aglomerado]
Algo necessário para entender o caso.
O ocultista diz, sorrindo:
O ocultista diz, sorrindo:
“Vocês entendem agora...? A dor... é o caminho. Ela une. Ela molda."
A massa atrás dele começou a se levantar.
Os gritos ficaram mais altos.
Mais... desumanos.
Os gritos ficaram mais altos.
Mais... desumanos.
Pensamentos demais.
Medos demais.
Diversas bocas abertas em lugares que não deveriam existir.
Medos demais.
Diversas bocas abertas em lugares que não deveriam existir.
O Aglomerado... estava acordando..............
Nos lutamos... éramos só adolescentes... e por algum motivo o destino? O mundo? Alguma coisa deveria querer nos punir... como...
Conseguimos impedir tudo de acontecer... A cidade estava "salva" mas a que custo? A custo da vida das únicas pessoas que eu em toda a minha vida consegui viver normalmente? Eu sou diferente... não... eles eram diferentes. Clarabella e Ivan, onde quer que estejam. Eu rezo e prezo que estejam perto daqueles mais importantes para vocês, e saibam... Vocês todos foram meus melhores amigos que eu poderia pedir, eu vou sentir saudade de vocês. Descansem em paz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário