sexta-feira, 13 de junho de 2025

Ocultista e o Surgimento do Aglomerado (Parte 5)

A cidade agora era impossível de ignorar.
Era como se o mundo inteiro estivesse apodrecendo.
Acho que só eu sentia tudo isso... talvez fosse o nervosismo, talvez tudo junto.

O céu parecia mais baixo.
As nuvens, mais pesadas.
As ruas, mais curtas, mais estreitas.
Talvez fosse tudo junto mesmo.

Nosso mapa, antes cheio de rabiscos e setas, agora era um cemitério de locais riscados.
Pontos vermelhos se espalhando como uma praga.
Locais onde o radar apitava e onde estávamos passando.

O silêncio no grupo era diferente agora.
Não era aquele silêncio desconfortável.
Era o silêncio de quem já sabe que... nada nunca mais vai ser o mesmo.

Nos encontramos a trilha com a ajuda do rádio. Dentro do esgoto, por baixo dos nossos narizes.
As paredes cobertas por mofo, rachaduras e pichações.

O interior do esgoto...
Deveríamos estar com nojo.
Deveríamos.

Mas o cheiro —
De sangue seco, de carne apodrecendo, de alguma coisa que se desfazia —
era sufocante.

Depois de andarmos mais um longo caminho, ou pelos menos, o que pareceu uma eternidade andando. Chegamos em um local um pouco mais aberto...
E na frente, uma figura.

Alguém.
Alto.
Magro.
Minha mente resolveu apagá-lo.

Ocultista: “Vocês demoraram.” — a voz saiu quebrada, arranhando, como vidro sendo arrastado. — “Mas era de se esperar. O sofrimento atrai.”

Ivan deu um passo pra frente.
A voz dele já não tremia mais.
Porque... quando se vai perde tudo, não sobra mais medo.

Ivan: “Foi você... Você fez isso. Você fez isso com a cidade.”

O homem sorriu.
Ou... o que sobrou do sorriso humano nele.

Ocultista: “Eu só... cultivei. A dor já estava aqui. Só precisei... fertilizar.”

No chão, círculos ritualísticos.
As linhas de sangue escorriam até os círculos.
E do círculo...
até algo maior.

No fundo do local, uma massa.
Uma coisa começou a acontecer...
Se mexia.
Pulsava.
Tremia, como se respirasse.

Dava pra ouvir.
Vozes.
Muitas.
Gritando, pedindo socorro, chorando.
Todas juntas.

[Checar Relato de Campo: Aglomerado] 
Algo necessário para entender o caso.

O ocultista diz, sorrindo:
“Vocês entendem agora...? A dor... é o caminho. Ela une. Ela molda."

A massa atrás dele começou a se levantar.
Os gritos ficaram mais altos.
Mais... desumanos.

Pensamentos demais.
Medos demais.
Diversas bocas abertas em lugares que não deveriam existir.

O Aglomerado... estava acordando..............

Nos lutamos... éramos só adolescentes... e por algum motivo o destino? O mundo? Alguma coisa deveria querer nos punir... como...

Conseguimos impedir tudo de acontecer... A cidade estava "salva" mas a que custo? A custo da vida das únicas pessoas que eu em toda a minha vida consegui viver normalmente? Eu sou diferente... não... eles eram diferentes. Clarabella e Ivan, onde quer que estejam. Eu rezo e prezo que estejam perto daqueles mais importantes para vocês, e saibam... Vocês todos foram meus melhores amigos que eu poderia pedir, eu vou sentir saudade de vocês. Descansem em paz.


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