sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Relato de Campo: Esqueleto de Lodo

Registro de Leônidas Lakota

Elemento Primário: Morte
Porte: Médio
Sentidos: Horrível.
Resistência: Apresenta resistência corporal à cortes, impactos e perfurações).
Fraqueza: Energia
Físico: Moderadamente ágil e forte; Basicamente resistente; Terrivelmente burro.
            Movimentação mais lenta que a humanoide.

Padrão de Ameaça: Seu padrão é simples mas tem um segredo, ataca principalmente com as garras mas em algum momento desconhecido, se transforma em uma poça de Lodo e se lança de forma espiral para frente em uma distância longa, degradando tudo no caminho.

Dedicatória:
Você pode quebrá-lo, esmagá-lo, partir seus ossos em pedaços—e nada disso vai adiantar.
O Esqueleto de Lodo não é uma criatura rápida, nem particularmente perigosa. Ele é lento, previsível, sem qualquer resquício de inteligência. Mas o problema não está na forma como se move. O problema está no fato de que ele não morre.
O que resta desse cadáver é um esqueleto seco e acinzentado, por onde escorre um Lodo negro e viscoso que pinga lentamente de suas costelas e articulações. Esse líquido grotesco parece ter vontade própria, se agarrando ao chão, paredes e qualquer coisa que tocar. O Esqueleto de Lodo não corre, não persegue—ele simplesmente caminha. Mas não importa quantas vezes seja derrubado, ele sempre volta a se erguer.

Demos de cara com um desses em um esgoto. O cheiro de umidade e podridão estava em toda parte, mas o mais estranho eram os rastros de Lodo. Como se a coisa tivesse andado em círculos por dias, talvez semanas. Quando o encontramos, ele sequer reagiu. Apenas seguiu seu caminho, como se nada mais importasse.
Gabriel cortou a coisa em dois sem cerimônia. O corpo desmoronou no chão em um estalo seco, e o crânio rolou até bater em uma pilha de escombros. O silêncio voltou, e por um momento, pensei que aquilo tinha sido um exagero para lidar com algo tão fraco.
Mas os ossos começaram a se mexer.
O Lodo se espalhou, escorrendo lentamente de volta para os restos da criatura. Primeiro as mãos, depois as pernas, por fim, o crânio tremeu antes de se recolocar no topo da pilha de ossos, montando-se de novo como um cadáver se levantando de um túmulo raso.
Se não tivéssemos estudado antes, talvez tivéssemos perdido tempo o destruindo uma, duas, dez vezes sem perceber que nada disso adiantaria. Mas já sabíamos a solução. O Lodo era a chave.

Gabriel jogou óleo, e eu atei fogo. As chamas consumiram a substância escura rapidamente, e dessa vez, os ossos caíram e ficaram onde estavam. Nenhuma reconstrução, nenhum movimento. Acabou.

O Esqueleto de Lodo não é uma ameaça real sozinho, mas é irritante. Se o Lodo não for queimado ou dissipado com Energia, ele sempre volta, como um problema que se recusa a desaparecer.
Talvez um dia eu encontre um lugar onde todos os restos mortos fiquem onde deveriam estar. Mas até lá, vou continuar queimando qualquer coisa que tente se erguer depois de cair.

Que a Morte nunca me siga – e que os ossos fiquem onde pertencem.

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