sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Relato de Campo: Mulher Afogada

Registro de Leônidas Lakota

Elemento Primário: Sangue
Elemento Secundário: Energia e Medo
Porte: Grande
Sentidos: Sente como um animal, pela falta de olhos mas bem aguçado.
Resistência: Apresenta resistência corporal à balas, impactos, perfurações e Energia).
Fraqueza: Morte
Físico: Extremamente ágil; Incrivelmente forte e resistente; Moderadamente inteligente.
            Movimentação parecida com a humanoide, Na água, o quadruplo de velocidade talvez.

Padrão de Ameaça (Forma Completa): Seu padrão é simples, tomar extremo cuidado com as garras e a boca gigante, além de atirar um tiro de sangue comprimido com ela. Cuidado com civis mortos no local, ela utiliza de seus corpos mortos para restaurar seu próprio sangue.)

Padrão de Ameaça (Forma Sangue): Seu padrão é caótico, utiliza essa forma em momentos de desespero, ou antes de saber como fazer seu corpo inteiro ser revelado, nessa forma, ela tenta afogar o alvo no seu próprio corpo liquefeito, tentando penetrar cada vez mais fundo até chegar nos órgãos, ao ser retirada do alvo, ou por ele mesmo ou outro, vem trazendo o sangue da vítima consigo.)

Dedicatória:
Algumas histórias deveriam permanecer apenas histórias. Mas o Medo tem um jeito peculiar de transformar lendas em realidade.
A Mulher Afogada começou como um conto infantil, um aviso para que crianças não desperdiçassem água. No entanto, quando um famoso escritor de terror popularizou a lenda, os relatos começaram a surgir. Pequenos detalhes estranhos em casas assombradas. Água com coloração avermelhada. Vozes dentro dos encanamentos. E, então, os desaparecimentos começaram.
Essa entidade não apenas existe—ela se espalha.
Toda vez que a Mulher Afogada se manifesta, as fontes de água ao seu redor se tornam armadilhas. Torneiras, chuveiros, privadas, qualquer coisa conectada a um encanamento. Seu corpo se mistura ao fluxo da água, fluindo pelos tubos, esperando. Às vezes, se revela em gotas carmesim escorrendo pelo ralo. Outras, em um sussurro abafado vindo dos canos. Mas quando ataca, não há aviso. Apenas um turbilhão de sangue líquido puxando sua vítima para dentro, arrastando-a para os canos, onde o destino é sempre o mesmo: afogamento e consumo lento.
Nossa primeira tentativa de enfrentá-la foi um fracasso.

A casa parecia comum. O tipo de lar abandonado há anos, com cheiro de madeira úmida e ferrugem. Mas o que chamou nossa atenção foram as torneiras. Todas cobertas com trapos amarrados, como se alguém estivesse tentando selá-las. O chão ainda estava manchado de vermelho.
No banheiro, ouvimos o primeiro sinal de sua presença: o som de gotas caindo no ralo, mesmo sem água na tubulação.
E então ela atacou.
O ralo da pia se abriu em uma torrente de sangue. O líquido tomou forma, moldando braços alongados e pálidos que me agarraram, puxando-me para dentro. O metal se expandia como se a estrutura da casa fosse apenas um tecido fino para ela atravessar.
Eu lutou, tentando cravar uma faca na cerâmica, mas o Sangue a envolvia, absorvendo a lâmina como se não existisse. Disparei contra a criatura, mas os tiros não fizeram nada. Cada ferimento que ela recebia se fechava quase no mesmo instante. Não havia corpo físico para destruir—apenas sangue, fluindo sem resistência.
Nosso único plano era escapar. Com esforço, Gabriel conseguiu me libertar, rompendo temporariamente a conexão com a pia ao jogar um ritual de morte na estrutura. Mas sabíamos que era apenas uma solução temporária. Não havia como vencê-la.
Quando saímos daquela casa, a verdade era clara: não estávamos prontos.

Passaram-se meses antes que voltássemos. Estudamos. Analisamos padrões de manifestações de entidades com segredos. Encontramos registros antigos, aprendemos mais sobre o processo de invocação. Foi assim que descobrimos o conto.
A Mulher Afogada não podia ser derrotada enquanto tivesse uma rota de fuga. Ela precisava ser forçada a existir completamente.
Dessa vez, quando entramos na casa, vi que ela ainda estava lá. Os canos tremiam. O som da água era mais alto do que antes. Ela sabia que nós estávamos ali. Mas agora, nós sabíamos como acabar com isso.
Fechamos todas as saídas de água, bloqueamos os encanamentos, cortamos a casa de sua conexão com o fluxo. E então, abrimos todas as torneiras de uma vez. O encanamento rugiu. O Sangue foi forçado para fora, e ela emergiu. Pela primeira vez, a Mulher Afogada tinha um corpo físico.
E dessa vez, ela não podia fugir.
Minha arma agora carregava munição ritualística. Cada tiro rasgava sua carne líquida, impedindo que se regenerasse. Gabriel, com a lâmina impregnada com conhecimento, cortava cada extremidade que tentava se reconstituir. Ela gritou. Ela lutou. Mas ela não era mais invencível. Quando seu corpo finalmente desabou em uma poça sem vida, soubemos que a história havia acabado.

A Mulher Afogada não pode ser destruída enquanto ainda puder se esconder. Ela se move livremente pelos canos, se regenera de qualquer ferimento e retorna enquanto houver um fluxo de água para sustentá-la. Somente ao fechar todas as saídas e forçá-la a assumir sua forma completa é que pode ser combatida. Mas o que mais me preocupa é que o Medo nunca desaparece. Essa história já se espalhou. Outras casas ainda podem ouvi-la. Outras torneiras ainda podem manchar de vermelho.

Algumas histórias deveriam permanecer apenas histórias. Mas o Medo sempre encontra um jeito de torná-las reais.

Que o Sangue nunca me afogue – e que o Medo jamais me encontre.

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