Registro de Leônidas Lakota
Elemento Primário: Conhecimento
Porte: Médio
Sentidos: Aguçados.
Resistência: Apresenta resistência corporal à cortes, balas e perfurações.
Fraqueza: Sangue
Físico: Extremamente ágil; Moderadamente inteligente e forte; Basicamente resistente.
Movimentação mais rápida que a humanoide.
Padrão de Ameaça: Seu padrão é furtivo e predador, indo atacar principalmente aqueles com mais medo do impossível, atacando com garras impossíveis e querendo implantar mais medo naqueles para que se torne mais forte.
Dedicatória:
Nem tudo que enxergamos é real. Mas quando a Membrana está fraca, a diferença entre imaginação e verdade se torna uma linha tênue—e às vezes, essa linha simplesmente desaparece.
O Vulto é uma dessas manifestações. Ele não tem origem natural, não pertence a este mundo. Na verdade, ele não deveria existir. Mas quando o medo se instala em um ambiente onde a Realidade está instável, o próprio delírio do observador se torna matéria-prima para algo que jamais deveria tomar forma.
Ele surge na névoa, nas sombras mal interpretadas, nos cantos do olho onde algo parece se mover quando não deveria haver nada. Criado pelo Medo gerado pelo próprio cérebro, ele se torna uma cópia distorcida daquilo que você mais teme enxergar. Mas ao contrário das alucinações comuns, ele é real o suficiente para matar.
Encontramos um Vulto em alto-mar, a bordo de um barco pesqueiro.
A missão não era sobre ele. Estávamos investigando outra criatura—o Profundo—em uma área repleta de naufrágios inexplicáveis. O mar estava calmo, mas havia algo estranho naquela parte do oceano. A bruma era anormalmente densa, e o barco parecia pesado, como se estivesse sendo sugado para dentro das águas sem que o mar se movesse.
Os pescadores falavam sobre coisas na neblina. Não vi nada. Até que vi.
No canto da visão, um vulto se moveu. Virei rapidamente, mas não havia nada ali. O silêncio pesava, e a temperatura oscilava entre ondas de calor e frio cortante. Gabriel parou por um instante, franzindo a testa.
— Você viu isso? (Eu vi também... algo não estava certo)
E foi assim que começamos a criá-lo.
A neblina ficou mais densa. A sensação de estarmos sendo observados tornou-se insuportável. O tempo todo, figuras escuras pareciam deslizar entre a bruma, mas quando nos virávamos, não havia nada. Então, o som de passos molhados ecoou no convés.
A criatura se formou bem diante de nós.
Era uma figura humanoide, mas nada nela era concreto. Seu corpo parecia feito de névoa sólida, mas não parava de se mover, como se estivesse em um estado de transição entre o mundo real e o Outro Lado. A forma oscilava, assumindo proporções impossíveis a cada segundo. Ela não tinha um rosto, mas quando olhei diretamente para ela, tive a sensação horrível de que estava olhando para algo que sempre esteve ali.
O Vulto atacou primeiro. Ao esquivar vimos suas garras rasgarem a lateral do barco como se a madeira fosse papel. Não era uma ilusão. Ele estava lá, e ele podia destruir.
Gabriel reagiu, desferindo um corte que deveria tê-lo partido ao meio, mas a lâmina apenas passou através dele. O golpe acertou, mas não o destruiu—porque ele não era real no sentido convencional.
A verdade se tornou clara. Ele era uma ideia.
E uma ideia só existe enquanto for acreditada.
A única forma de derrotar um Vulto não é com força bruta, mas com conhecimento e controle. Se ele nasce da paranoia, então a paranoia precisa ser quebrada. Nós paramos de olhar. Nós paramos de acreditar nele.
Mas isso não era suficiente. Precisávamos fixá-lo na Realidade antes que pudesse ser destruído.
Eu já havia começado o ritual de Sangue antes mesmo de ter um plano claro. Cortei minha palma, desenhei os símbolos sobre a madeira do convés, e murmurei os versos que fixariam o que não deveria ser fixado. O Vulto hesitou. Sua forma ficou mais nítida, sólida demais para continuar oscilando entre os planos.
Foi nesse momento que Gab agiu. Sua katana, agora carregada pelo ritual, cortou o Vulto ao meio. Dessa vez, ele não resistiu.
A criatura se dissolveu com um som abafado, como se tivesse sido engolida pelo próprio vazio. A névoa ao redor do barco começou a se dissipar, e junto com ela, a criatura desapareceu.
Dessa vez, não foi ignorada. Foi apagada.
O Vulto não é uma ameaça comum. Ele não vem até você—você o traz até si mesmo. Quanto mais medo e paranoia alimentam um ambiente, mais forte ele se torna. Mas sua fraqueza também está aí. Ele só pode existir enquanto houver crença em sua existência.
Mas se quisermos derrotá-lo, precisamos fixá-lo na Realidade antes que possamos eliminá-lo. O ritual de Sangue funcionou, mas a pergunta ainda permanece:
Se nós criamos o Vulto, o que mais podemos criar sem querer?
Que o Conhecimento nunca me cegue – e que o Medo nunca tome forma diante de mim.
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