Registro de atokaL sadinôeL
Porquê eu estou escrevendo isso? Por que o Título é esse? Eu não consigo ler.
Faz 6 dias que acordei no que parecia ser um hospital .
Luzes fluorescentes piscavam num ritmo irritante acima da minha cabeça.O cheiro de desinfetante misturado com ferrugem enchia minhas narinas.
O som de monitores cardíacos ecoava como batidas ansiosas tentando manter a realidade no lugar.
Mas nada estava certo.
Nada estava inteiro.
Nada estava inteiro.
Aparentemente nos sofremos um acidente de carro, nos encontraram e ligaram para o hospital mais próximo.
Gabriel estava em outra maca, imóvel, olhando o teto.
Vivo.
Demorou para perceber que eu estava vazio.
Mais vazio do que jamais estive.
Vivo.
Demorou para perceber que eu estava vazio.
Mais vazio do que jamais estive.
A minha mente latejava como se tivesse sido... arrancada e costurada de volta, às pressas.
Pedaços de memórias surgiam em lampejos quebrados —
mas eles não se encaixavam.
Pedaços de memórias surgiam em lampejos quebrados —
mas eles não se encaixavam.
Tentava lembrar onde tínhamos ido. Mas eu não conseguia.
Tentava também lembrar por que estávamos ali. Nada.
Tentava desesperadamente lembrar o que estávamos investigando. Silêncio.
Como se algo tivesse mastigado minhas lembranças e cuspido.
Com o passar dos dias até esse momento, a vida parecia tentar forçar uma normalidade.Mas eu via coisas.
Pessoas que não estavam lá.
Homens de terno preto e chapéus, parados em esquinas, onde ninguém mais parecia notar.
A tecnologia também começou a falhar em volta de mim.
Meu celular, desligado, vibrava sozinho.
Pequenas rachaduras nas rotinas comuns que eu tenho com o Gabriel.
Olhares que não pertenciam a rostos.
Sempre imóveis.
Sempre encarando.
Nunca próximos demais.
Nunca longe o bastante.
Sempre encarando.
Nunca próximos demais.
Nunca longe o bastante.
Quando tentava me aproximar, eles desapareciam.
Não corriam.
Não fugiam.
Não corriam.
Não fugiam.
Desapareciam.
Como se nunca tivessem estado ali.
Como se nunca tivessem estado ali.
A tela, quando acendia, mostrava símbolos que pareciam rasgos de escrita:
- "[⍰] 𝑣𝑜𝒸ê 𝓃ã𝑜 𝓈𝒶𝒾𝓊."
O rádio do carro, às vezes, ligava por conta própria no meio da madrugada.
O relógio da parede sempre parado no mesmo número ao olhar, como se o tempo estivesse cansado de fazer sentido.
O relógio da parede sempre parado no mesmo número ao olhar, como se o tempo estivesse cansado de fazer sentido.
Sinais.
Fragmentos.
Chamados.
Fragmentos.
Chamados.
Mas chamados para quê?
Ou para quem?
Ou para quem?
Às vezes, em pesadelos, eu me via dentro de corredores de vidro, com figuras distorcidas caminhando além da neblina, batendo em portas que não deveriam existir.
Outras vezes, era apenas uma sala branca, e um ponteiro de relógio que girava sem parar, engolindo a realidade ao seu redor.
Minha cabeça não sabe mais em que acreditar.
Em certos momentos, lembro vagamente de uma estrada.
Em outros, parecia que nunca tínhamos saído de casa.
Em outros, parecia que nunca tínhamos saído de casa.
Eu devo estar ficando louco mesmo, só pode.
Gabriel também mudou.
Não fala sobre o assunto.
Às vezes passa momentos tentando refletir.
É como se sua memória do evento e tudo tenha sido apagado de sua memória, por que só eu estou sofrendo com isso?
Às vezes passa momentos tentando refletir.
É como se sua memória do evento e tudo tenha sido apagado de sua memória, por que só eu estou sofrendo com isso?
Certa noite, tentei perguntar para ele o que estava acontecendo, ele estava cozinhando, e no segundo que eu acabei de soltar a frase:
"O que aconteceu com a gente, Gabriel?"
"O que aconteceu com a gente, Gabriel?"
Ele disse: "Esquecer."
O mais engraçado foi ele virar pra mim em seguida e perguntar se eu tinha falado algo............
Eu tento seguir.
Tento viver.
Mas às vezes...
Tento viver.
Mas às vezes...
Eu ainda sinto.
O peso dos olhares.
O ruído dos sinais.
O chamado. (PQ EU ESCREVI ISSO)
O ruído dos sinais.
O chamado. (PQ EU ESCREVI ISSO)
A minha única pista é o relógio, marcando 𝟑:𝟏𝟑, no meu pulso direito.
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